COMO TUDO COMEÇOU

Tudo começou de forma muito simples, como é ainda hoje, mas focando sempre em seu objetivo maior que é fazer o bem sem olhar a quem, tal qual nos ensinou Jesus. E a história desta Casa de Oração se confunde com a história de vida de sua presidente: a nossa Tia Durva. Nascida e criada numa fazenda, onde passou sua infância sem problemas maiores, ela esteve, por muito tempo, voltada para o trabalho ao lado da família e às atividades da igreja, católica que era por formação familiar, tanto que, todo  mês de Maio, era convidada a coroar Nossa Senhora, nas festividades da paróquia local. Na fazenda onde nascera havia uma capelinha de Santo Antonio e sempre que podia, lá estava ela limpando as imagens, com as quais conversava, principalmente quando as via mudando de lugar.
 
Aos nove anos de idade sua família mudou-se para a cidade de Lins, interior de São Paulo, onde provou severas dificuldades, pois, apesar de serem em dez irmãos, cada um passou a cuidar de sua respectiva família, restando, somente, seus pais, ela, a caçula, e uma irmã dois anos mais velha. Aos onze anos teve seu primeiro emprego como pajem de duas crianças, o que lhe exigia muito esforço físico, principalmente ao carregar no colo o José Maria, um lindo menino de apenas dois anos.
 
Depois de algum tempo, ao se sentir extasiada, achando que não aguentaria mais aquele peso, começou a perceber que alguém lhe ajudava, tornando-o mais leve e dizendo ao seu ouvido: - Não se preocupe, eu estou aqui para ajudá-la em tudo. Depois daquela descoberta, começou a conversar com aquela entidade, quando teve sua primeira visão, o que a encheu de imensa alegria. Tornaram-se boas amigas e, em determinada ocasião, foi por ela apresentada a Maria, a mãe de Jesus, que conforme dissera, também queria ser sua amiga. Aos quatorze anos, investida na tarefa de filha de Maria, as visões diminuíram e, também, naquela época, conheceu José Rodrigues, com quem se casara aos dezesseis anos.

Certo dia, a bondosa freira que a amparava apareceu e comunicou-lhe que iria trabalhar noutros lugares, mas que se precisassem dela, bastaria chamá-la. Transcorreu-se o tempo e aquela criatura acabara por cair no esquecimento, pois, afinal de contas, nem mesmo o seu nome ela sabia. Todavia, aos dezessete anos apresentaram-se as primeiras dificuldades: um aborto espontâneo que muito entristeceu ao casal. Diante do apuro, reascendeu em sua memória a lembrança da amiga de Maria, um novo encontro ocorreu e a amizade, que nunca se rompera, foi restabelecida. Entretanto, passado mais um ano, novo aborto espontâneo... Daí, a tristeza profunda e a descrença na tal freira, da qual não quis mais saber. Sempre muito devota de Nossa Senhora, esqueceu-se que era ela a mesma Maria, amiga da freira.

A vida corria... O casal Rodrigues mudou-se para São Bernardo do Campo, com muita dificuldade, a ponto de sentir o sabor amargo da fome. Não obstante, após um mês nesta cidade, uma nova gravidez foi anunciada. 


Com as bênçãos e a graça de Deus veio o primeiro Anjo de Luz: uma linda menina. Dois anos depois, novo Anjo foi anunciado: mais uma menina, que de tão linda e forte, chegou a ganhar concursos para crianças. Mas, infelizmente, as nuvens negras das provações e da dor pairavam soberbas sobre a sua família. Foi quando, aos três anos de idade, graves problemas de saúde vitimaram a pequena Lígia (sua segunda filha).

Tudo o que estava ao seu alcance fizera, com o intuito de recuperar a saúde da pequenina, inclusive uma mudança para a cidade litorânea de São Vicente, porém, nada adiantou e, passado algum tempo, voltou a morar em São Bernardo. Certa noite, alguns amigos, conhecedores do problema, reuniram-se em sua casa para orarem por sua filhinha doente, todavia ela desconhecia que dois deles eram espíritas, palavra que não podia, sequer, ouvir. De repente, adentrara ao recinto a tal freira, postando-se ao seu lado direito e, sorrindo, cumprimentou a todos. Receosa, ela não respondeu ao cumprimento, mas um de seus amigos falou em voz alta que uma freira estava entre eles e que dizia ser amiga dos donos da casa. Aí, ela estremeceu e pensou: - Deve ser algum espírito, uma dessas coisas que eu nunca gostei.

Em algumas oportunidades brigou muito com a freira, dizendo que nem nome ela tinha, porque nunca havia lhe dito. Ela apenas sorria, demonstrando muita compreensão ante a sua ignorância, suportando serenamente todas as suas agressões. E, a medida que o tempo passava a pequena Lígia não melhorava.


Foi quando um dos médicos que cuidava dela deu o endereço de um especialista em alergia, professor do Hospital das Clínicas, o Dr. Julio Crocce. Lá foi em uma nova tentativa. Uma consulta caríssima, cinqüenta e dois testes e.... nada!  O médico, então, pediu que a levassem para outra consulta quando ela estivesse em crise.

No dia seguinte lá estava. O médico fixou-se em seus olhos demoradamente e, após quinze minutos, disse-lhe: - Minha senhora, não sei qual é a sua religião, mas procure todo Centro Espírita que lhe indicarem. Naquele que se sentir melhor, a senhora pára, pois é ali que a sua filha vai se curar, já que, fisicamente, ela não apresenta nada! Ela saiu do consultório chorando muito e teimando que não queria saber disso. Mais dois anos se passaram, até que, aos 14 anos, as crises eram tão fortes que ela pedia que a deixassem morrer, pois já não agüentava mais. Foi naquele momento de desespero que resolveu buscar os centros espíritas que lhe haviam indicado. Mais dois anos de lutas incessantes, pois não acreditava no Espiritismo e o amor pela doutrina, evidentemente, não existia. A partir daí, passou a levá-la na casa da Sra. Aparecida, que recebia o Dr. Mário, Espírito, o qual lhe dizia que ela tinha uma grande missão aqui e que era necessário aceitar a doutrina dos Espíritos. Começou, então, a participar do Evangelho nas casas de pessoas que precisavam, junto com a Dona Cida, durante cinco anos.


Assim, já com algum conhecimento, começou a fazê-lo em seu lar. Em um dia do mês de janeiro de 1989, aquele mesmo amigo que vira a freira em sua casa, veio visitar-lhe, e sendo convidado a participar da leitura do Evangelho, ele disse que tinha vindo exatamente por isso, porque a FREIRA o havia trazido.Exatamente naquele dia, naquele momento, fora plantada a semente do nosso hoje Lírio Branco!

Na semana seguinte, aquele amigo retornou, à mesma hora, junto com mais três pessoas e, daí para frente, o número de participantes crescia a cada encontro. Em agosto daquele ano, quarenta e oito pessoas já lotavam a sala de sua casa, quando ocorreu o atendimento do primeiro caso de obsessão. No final do ano, já com cinqüenta e oito integrantes, o grupo recebeu a visita da freira, orientando para que arrumassem um lugar maior, alertando que não deveria ser negada ajuda a quem quer que fosse, encarnado ou desencarnado.

Em sua luminosidade, dissera ela que o nome poderia ser alterado, sem problemas, haja vista o merecimento alcançado pela casa, devido a importância dada ao estudo e a ajuda a todos. Naquela ocasião, Zé Macuco também compareceu, já bem mais esclarecido, e disse o seguinte: - Minha irmã, por que tanta preocupação com isso, se o Lírio Branco é a nossa própria mentora?

E assim, o problema fora solucionado! Vale ressaltar que, tão logo aceitou o Espiritismo, a sua filha Lígia curou-se completamente. Este é um resumo de sua caminhada, sendo uma prova viva de que Quem não vai por amor, vai pela dor.

Como tudo, também o Lírio Branco foi projetado nas esferas cósmicas para depois solidificar-se.

Hoje o Lírio Branco é isso que todos vêem: uma programação intensa de trabalho, oferecendo estudo a todos aqueles que quiserem encontrar na Doutrina Espírita o seu caminho. O trabalho é grande, mas gratificante. Requer respeito e espírito de fraternidade, pois sem união, nada se concretiza. Que todos possam ter sempre saúde física e espiritual para continuar a construir o homem de bem e esteja cada vez mais próximo do Cristo.

Para finalizar uma prece de louvor a Maria, em sinal de agradecimento por tudo quanto tem proporcionado a todos dentro dessa maravilhosa doutrina, que muitos relutam em abraçar.

Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois Vós entre as mulheres, bendito é o fruto do Vosso ventre, nosso irmão Jesus. Santa Maria, mãe do Mestre, roga por nós, Senhora, que ainda somos pequeninos e devedores.
Auxilia-nos, Maria, em nossa travessia no mundo dos encarnados.
Receba-nos, Maria, quando do nosso retorno à Pátria espiritual.
Ampare-nos, Maria, hoje e sempre. Assim seja.

Durvalina Aparecida Rebussi Rodrigues
Presidente do G. E. E. Lírio Branco

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